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terça-feira, 10 de abril de 2007

Não deves voltar a um lugar onde foste feliz

Ainda no rescaldo do passado fim-de-semana, ocorreu-me partilhar uma sensação que experimentei. Já no regresso da viagem, decidimos passar na cidade onde o meu pai cresceu e onde passei muitas férias enquanto criança/adolescente.

Por um motivo ou por outro, há quinze anos que não ia lá. Foi uma emoção arrebatadora refazer os caminhos que percorri dezenas de vezes e encontrar pedaços do meu passado perdidos em lugares onde ia passando. Foi uma desilusão constatar que um dos locais onde passei momentos tão felizes está quase ao abandono. Perdeu a alegria. Perdeu a vida. Fez-me sentir que parte da minha vida também ficou ali perdida.

A surpresa da mudança também me deixou confusa. Certos pontos de referência deixaram de existir. As novas construções descaracterizaram as paisagens da minha memória e tive que recorrer ao instinto para voltar a lugares onde estive tantas vezes.
Para além de que as pessoas que faziam parte desses lugares já não estavam lá. A vida de cada um seguiu o seu curso, naturalmente, dia após dia, durante quinze longos anos. Mas eu esperava encontrar tudo como tinha deixado e reencontrar os mesmos sorrisos que deixei quando parti pela última vez. É isso que se espera sempre…

Não devemos voltar a um sítio onde fomos felizes, se formos com o objectivo de sermos felizes da mesma maneira que fomos quando lá estivemos. Mas podemos – e devemos – voltar, se quisermos recuperar pedaços da nossa memória que estavam adormecidos.

E se a lembrança desses momentos nos faz feliz, então vale a pena voltar.

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